Clark Kent, Brasil: "Não Consigo Imaginar Minha Vida Sem o Serviço Militar"
Ele tem 26 anos e é natural do Brasil. Escolheu o nome de guerra "Clark Kent" como uma referência ao super-herói mais famoso de todos os tempos — o habitante do planeta Krypton que esconde habilidades extraordinárias sob a aparência de um homem comum. No Exército, a lógica é muito semelhante: o que importa não são as palavras, mas a disposição para agir, e uma pessoa comum pode se tornar um herói quando a situação exige.
Antes de vir para a Ucrânia, o voluntário já havia recebido treinamento militar no Brasil. No entanto, foi na Ucrânia, servindo na 159.ª Brigada Mecanizada Independente, que adquiriu sua primeira experiência real de combate.
Clark morou na Polônia por algum tempo e, durante uma viagem a Lviv, conheceu ucranianos. Foi lá que testemunhou o impacto da agressão russa na vida das pessoas e, segundo ele, isso foi o que o motivou a se juntar à luta contra os invasores russos.
"Os ucranianos são um povo extremamente acolhedor e amigável. Fui tratado com muito carinho e fui sinceramente bem recebido.
Ao ver a injustiça que eles enfrentavam, percebi que não podia simplesmente ficar de braços cruzados assistindo.
Foi por isso que decidi lutar lado a lado com os soldados ucranianos."
Embora Clark esteja lutando pelo futuro da Ucrânia, sua ligação com sua terra natal continua muito forte. Segundo ele, uma das razões pelas quais ingressou na 159.ª Brigada Mecanizada Independente foi a oportunidade de servir ao lado de outros brasileiros.
"Escolhi esta brigada porque há muitos brasileiros servindo aqui. Isso facilita muito a comunicação e, durante o combate, isso é extremamente importante."
Apesar de serem estrangeiros servindo em uma brigada ucraniana, Clark e seus companheiros rapidamente se integraram à unidade. Trabalham em perfeita sintonia com seus irmãos de armas ucranianos e atuam como uma única equipe.
"Nós, brasileiros, não temos nenhum problema porque a comunicação entre nós funciona muito bem. Quanto aos ucranianos, vejo que eles fazem todo o possível para manter uma boa cooperação. Apesar da barreira do idioma, nunca tivemos dificuldades para nos comunicar."
Clark recebeu treinamento militar no Brasil, mas admite que ele não é suficiente para a realidade da guerra moderna, onde os drones desempenham um papel crucial e a natureza do combate está em constante transformação.
Por isso, o treinamento que recebeu na Ucrânia foi especialmente importante. Graças a essa preparação, ele se sente muito mais confiante e melhor preparado para o campo de batalha atual.
"O treinamento que recebi aqui na brigada, assim como durante o Treinamento Militar Básico Geral, foi extremamente completo.
Estudamos atendimento médico tático, manobras táticas, tiro, técnicas de deslocamento, combate a drones e muito mais.
É um treinamento de alta qualidade e muito abrangente, que tenho certeza de que será fundamental na linha de frente."
O voluntário afirma que não consegue se imaginar fora da vida militar. Para ele, o serviço não é apenas um trabalho ou uma fase passageira, mas uma parte essencial de quem ele é. Pretende continuar servindo, fazendo apenas pequenas pausas quando necessário para se recuperar.
"Claro que a guerra é extremamente desgastante, tanto física quanto mentalmente. Por isso, pretendo tirar um período de licença.
Já comecei a solicitar minha autorização de residência e o visto ucraniano para poder passar algum tempo descansando aqui na Ucrânia, porque este é um país muito bonito.
Mas, depois desse descanso, pretendo voltar ao serviço. Não tenho intenção de abandonar a vida militar."
Apesar de todas as dificuldades, o brasileiro tem certeza de que fez a escolha certa. Ao mesmo tempo, deixa uma mensagem para aqueles que estão pensando em vir para a Ucrânia: essa decisão deve ser tomada com plena consciência e responsabilidade.
A guerra não é algo que possa ser compreendido apenas por vídeos nas redes sociais. Quem pretende dar esse passo deve avaliar honestamente todos os riscos e estar preparado para a realidade da linha de frente.
"A todos que querem vir lutar na Ucrânia, quero dizer o seguinte: não será fácil. A situação aqui é muito séria.
Às vezes as pessoas assistem a vídeos no Instagram ou no YouTube e acham que tudo é exatamente assim. Meu conselho é que entendam muito bem para onde estão indo e o que podem enfrentar, para não se arrependerem depois da decisão que tomaram.
E àqueles que, mesmo sabendo de tudo o que acontece aqui, ainda assim decidem vir, quero dizer: admiro sinceramente a coragem de vocês."
Saiba mais sobre a 159.ª Brigada Mecanizada Independente das Forças Armadas da Ucrânia e descubra como se juntar à brigada em seu site oficial:
https://159ombr.army/#awb-oc__215
Texto: Dmytro Tolkachov
Vídeo e fotos: Dmytro Tolkachov, Oleksandr Bekker
Edição: Oleksandr Bekker