Oscar Xedes ILDU

Oscar e Xedes. Eles lutaram contra os cartéis. Agora lutam contra os invasores russos

Oscar e Xedes — um brasileiro e um colombiano — estavam diante de nós logo após voltarem de uma missão. Dois amigos, dois companheiros de armas. Magros, endurecidos, transformados por anos de serviço em algo próximo de armas humanas. Mas a guerra aqui mudou. Hoje, eles lutam não apenas com rifles, mas por meio de máquinas — drones que dominam o céu sobre o campo de batalha russo-ucraniano.
 

Sua presença de guerreiros não é coincidência. Esta não é sua primeira guerra. Muito antes da Ucrânia, eles aprenderam o que significa lutar — nas selvas, nas cidades, contra inimigos que parecem muito diferentes daqueles que enfrentam agora. No entanto, nas fileiras da unidade de drones da 3ª Legião Internacional para a Defesa da Ucrânia, suas habilidades foram remodeladas para uma guerra em que a tecnologia decide tudo.

 


Oscar: Tenho 29 anos e estou no exército há 11 anos. Depois de servir no Exército Brasileiro, ingressei na Legião Estrangeira Francesa. No Brasil, servi no Corpo de Fuzileiros Navais. Fui treinado para combate em ambientes urbanos e selvas.

 


Xedes: Tenho 30 anos. Servi por cerca de seis anos e meio na Colômbia e na Ucrânia. Na Colômbia, o combate ocorre em terrenos montanhosos e selvas. Tive várias especializações: atirador de elite, médico de combate e sapador. Aqui, estive em Avdiivka, Hlyboke e Kupiansk.

 


Tanto Oscar quanto Xedes reconhecem que o combate que viveram em seus países tem pouca semelhança com a guerra que encontraram na Ucrânia. Lá, eles lidavam com ameaças localizadas e guerra irregular. Aqui, viram-se no meio de uma guerra em grande escala — onde o campo de batalha é moldado por drones, poder de fogo de longo alcance e um ritmo de combate implacável e industrial.

 


Xedes: Em comparação com a Colômbia, a guerra na Ucrânia tem uma forma completamente diferente. As novas tecnologias e os drones têm um grande impacto na forma como as batalhas são travadas. A diferença é que, na Colômbia, combatemos o tráfico de drogas e o terrorismo — questões internas do país. Na Ucrânia, esta é uma guerra contra outro Estado, contra invasores — e a diferença é significativa.

 


O caminho de Oscar tomou um rumo adicional. Na Legião Estrangeira Francesa, ele esteve do outro lado da experiência — como instrutor. Seu papel era treinar recrutas em habilidades básicas: atirar, assumir posições de tiro e trabalhar com minas. Oscar tem certeza: essa experiência o ajudou muito na Ucrânia.

 


Oscar: A maior diferença nesta guerra é o uso de drones e outras tecnologias. Tive experiência de combate no Rio de Janeiro e em operações na selva contra traficantes de drogas. No Brasil, combatemos traficantes de drogas, então o treinamento é voltado para isso. Mas aqui, na Legião Estrangeira, nos preparamos para o combate real, para uma guerra de verdade. É um pouco mais difícil, mas é assim que os soldados são treinados em qualquer exército.

 


O que os une é mais do que apenas sua formação militar. Ambos carregam um desejo genuíno de ajudar — e uma convicção clara de que o mal não pode ficar impune. Isso precisa ser detido. Essa convicção foi o que levou Xedes a atravessar o oceano e Oscar — a deixar a Legião Estrangeira Francesa para trás e entrar nos campos de batalha da maior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

 


Oscar: A principal motivação é ajudar as pessoas. Quando eu estava na Legião Estrangeira Francesa, vi como os russos atacavam aldeias e cidades, sequestravam crianças e estupravam mulheres. Minha motivação é ajudar este país, porque os russos estão praticando o mal. Por isso vim aqui para tentar ajudar, mesmo que seja só um pouco.

 


Xedes: A principal motivação é lutar por aqueles que não podem se defender. Todos esses ataques a civis — mulheres e crianças ucranianas sofrendo isso todos os dias — me enchem de raiva. Eu nunca gostaria que minha família passasse por isso. É por isso que minha motivação é lutar por aqueles que não podem revidar.
 

 

 


Texto: Dmytro Tolkachov


Foto, vídeo: Volodymyr Patola, Oleksandr Los


Edição: Oleksandr Bekker