Dan: Ranger americano lutando contra o imperialismo russo na Ucrânia
A confiança em sua voz, aguçada pela clareza cristalina de seus pensamentos, prende sua atenção no momento em que ele começa a falar. Este é um homem que sabe exatamente o que quer, sem hesitação ou dúvida. Com seu equipamento completo, ele parece um soldado imperial saído diretamente da era de ouro do cinema de ação — alguém que pertence a um pôster de filme.
Mas o que o rodeia não é um cenário de cinema. É uma guerra real, em grande escala. E ele não está desempenhando um papel — ele é um participante ativo nas missões de combate de maior risco. Dan luta na Ucrânia desde março de 2022, quando a guerra estava no seu auge e mais caótica. Desde então, ele participou de inúmeras missões de combate em algumas das áreas mais disputadas.
Em 2022, ele ajudou a expulsar os ocupantes russos das regiões de Chernihiv e Kharkiv. Em 2023, sua missão mudou para Donbas – uma área marcada pela necessidade implacável de manter a linha sob pressão constante. Em 2024 e 2025, ele continuou a levar a experiência de campanhas anteriores para novas rotações, missões e riscos na região de Kharkiv.
Para Dan, ser soldado não é um papel temporário, mas uma escolha de vida deliberada. Muito antes de ingressar nas Forças Armadas da Ucrânia, ele já havia adquirido vasta experiência militar no Exército dos Estados Unidos. Ele serviu como soldado de infantaria no 2º Batalhão de Rangers do 75º Regimento de Rangers – uma das unidades mais exigentes das Forças Armadas dos Estados Unidos:
“Eu fazia parte de uma unidade especializada em assalto e eliminação de alvos de alto valor”, lembra Dan. “Utilizávamos helicópteros, veículos e aviões. Mas também fomos ensinados a nos adaptar – a usar quaisquer táticas necessárias para o ambiente.”
O americano não podia ficar à margem diante da injustiça e da brutalidade infligidas pela Rússia ao povo ucraniano. O que ele viu não foi apenas uma guerra por território, mas uma campanha de violência dirigida a civis e à própria identidade ucraniana:
“Eu me juntei para deter o imperialismo russo”, diz ele. “Para impedir o estupro e o assassinato de civis ucranianos e para deter a destruição da cultura ucraniana.”
Além do imperativo moral, havia também uma razão profundamente pessoal por trás de sua decisão. A Ucrânia não era mais uma causa abstrata – tornou-se sua família, seu lar, seu futuro:
“Minha esposa é ucraniana. Meu filho é ucraniano”, explica Dan. “Eu amo este país e não quero vê-lo ser tratado da mesma forma que a Rússia tratou outros antes.”
Enquanto servia em uma unidade internacional, o soldado americano passou anos lutando ao lado de soldados ucranianos. Quando o conhecemos, ele estava vinculado à 92ª Brigada de Assalto Separada das Forças Terrestres Ucranianas – uma formação experiente em combate, forjada por meio de constantes engajamentos na linha de frente:
“Gosto muito de trabalhar com eles”, diz Dan. “Há muitos caras experientes aqui, e os mais novos são bem treinados. A liderança é forte e solidária – eles nos apoiam, possibilitam uma cooperação real e garantem que tenhamos tudo o que precisamos para cumprir a missão.”
O que se destaca para ele não é a formalidade rígida, mas o pensamento prático – decisões motivadas pela realidade, não pelo protocolo:
“Eles têm um senso comum muito bom quando se trata de planejamento”, acrescenta. “E nos permitem contribuir com ideias que nos ajudam a trabalhar da maneira mais eficaz possível.”
Falar sobre o futuro pode parecer fútil quando se é um soldado em uma guerra dessa magnitude. No entanto, a capacidade de imaginar o que vem a seguir é o que mantém as pessoas humanas – é uma forma de permanecer são em um mundo que muitas vezes parece estar desmoronando. O maior sonho de Dan é simples e pacífico: permanecer na Ucrânia e viver em um país que não seja mais definido pela guerra:
“Eu moro em Kiev e provavelmente continuarei morando em Kiev”, diz ele. “Talvez eu abra uma lanchonete de burritos em Khotynivka – uma pequena vila na região de Chernihiv. Esse é o meu grande sonho. Se não, ficarei no Exército ucraniano até conseguir minha cidadania.”
O guerreiro americano luta lado a lado com alguns dos melhores filhos da terra ucraniana, bem como com bravos voluntários de todo o mundo. Juntos, eles formam uma força unida não pela nacionalidade, mas por uma determinação comum. No entanto, uma guerra desta magnitude exige mais do que apenas coragem – exige pessoas, recursos e um compromisso sustentado. Para Dan, este tornou-se o maior desafio que enfrentou desde 2022:
“O problema mais difícil é a falta de soldados experientes que ainda estejam vivos”, diz ele. “E a falta de financiamento dos Estados Unidos e de outros países. Com o tempo, a motivação para financiar a guerra diminuiu devido ao cansaço da guerra.”
Para Dan, essa realidade é uma das verdades silenciosas da guerra: a resistência é testada não apenas pelo inimigo, mas também pelo tempo que o mundo está disposto a continuar prestando atenção.
Os voluntários estrangeiros ajudam a resolver a escassez de pessoal. A presença deles é importante. Mas Dan também deixa claro que vir para a Ucrânia exige muito mais do que preparação física – exige uma profunda preparação mental e honestidade absoluta consigo mesmo:
“Venha com boas intenções”, diz ele. “Não venha para ganhar experiência para contratar mais tarde. Venha para esta experiência, e somente esta. Não pense no que virá depois.”
Na sua opinião, a motivação dividida se torna um obstáculo no campo de batalha:
“Se você vier aqui pensando em outras oportunidades ou benefícios futuros, você vai fracassar no que faz aqui. E você vai acabar sendo nada além de um fardo para as pessoas ao seu redor.”
Dan enfatiza que as únicas pessoas que realmente pertencem a este lugar são aquelas dispostas a aprender, se adaptar e deixar o ego de lado:
“Não venha a menos que você realmente queira fazer a diferença e esteja motivado a aprender. Se você estiver disposto a aprender, se puder se adaptar e se mantiver a mente aberta, poderá fazer muitas coisas boas aqui. Você pode ganhar uma experiência significativa e pode mudar a vida das pessoas para melhor – pelo menos a sua própria, no final das contas.”
Acima de tudo, ele rejeita a ideia de heroísmo:
“Não venha para ser um herói”, diz Dan. “Venha para fazer sua parte. E venha para fazer algo que você acredita ser certo.”
Texto: Dmytro Tolkachov
Foto, vídeo, edição: Volodymyr Patola