É difícil, mas é possível – «Tornado», voluntário colombiano da 47.ª Brigada Mecanizada Independente
O militar da 47.ª Brigada Mecanizada Independente, Jaime, com o nome de código “Tornado”, é um voluntário das Forças Armadas da Ucrânia, originário da Colômbia. Durante 110 dias, manteve a posição na região de Sumy, repelindo os ataques dos ocupantes russos. Tendo olhado a morte nos olhos mais do que uma vez, o homem superou o seu medo, conseguiu manter a compostura e a sangue-frio, cumprir a missão e regressar. Durante a nossa conversa, o herói estava a recuperar de esforços sobre-humanos, mas, após o fim do descanso, está pronto para voltar a entrar em combate pela Ucrânia.
Trabalho árduo, resistência e competência
Antes de se alistar nas Forças Armadas da Ucrânia, Jaime trabalhava no seu país natal como instalador de estruturas de janelas em alumínio e vidro temperado. A profissão civil exigia elevados níveis de competência e dedicação, envolvia riscos significativos e obrigava-o a manter-se em boa forma física. Mas já se passaram duas décadas desde a sua experiência militar no exército colombiano:
– Prestei serviço militar há 20 anos. Vim para a Ucrânia para dar o meu contributo nesta guerra, fazer uma boa ação e também por causa do dinheiro. Após o encontro com o recrutador da 47.ª Brigada e o alistamento, fui muito bem preparado. Os treinos no campo de manobras duraram mais de 20 dias com todos os tipos de armamento: espingarda, RPG, outros lança-granadas, diversos armamentos antitanque e antidrones, e manuseamento de minas.
É difícil, mas é possível
A dedicação, a resistência e o interesse deram os seus frutos; o recruta saiu-se bem nos exercícios de treino, pelo que, pouco tempo depois, partiu para a sua primeira missão de combate.
– Terminámos o treino e partimos imediatamente para a posição. Foi difícil percorrer o caminho até ao local onde tínhamos de chegar. Tivemos de levar bastante equipamento, mas o mais difícil foram os drones. Aqui, na guerra, cada vez mais situações envolvem drones; utilizam-se drones pesados e complexos, mas se a pessoa souber agir nessas condições, é possível avançar.
A guerra não é um jogo
«Tornado» fala com calma e contenção sobre o que viveu. Para ele, cumprir missões de combate é difícil, mas perfeitamente possível e exequível. Recomenda aos potenciais voluntários que tenham plena consciência do que vão enfrentar.
– As pessoas que vêm para a Ucrânia para combater têm de compreender que estão a ir para a guerra. Não se vem aqui para brincar ou por turismo de aventura. Aqui há guerra, e se tudo for feito bem, seguindo rigorosamente as ordens do comandante – é perfeitamente possível avançar. Caso contrário – ficaremos por lá. Isto não é um jogo.
Sobre o futuro
Tal como a maioria dos soldados, «Tornado» fala com cautela sobre os planos para o futuro.
– Se Deus me der força e me permitir, pretendo continuar aqui a ajudar a vencer esta guerra e, mais tarde, trabalhar no meu país. Vou continuar o meu trabalho na área em que atuava anteriormente.
Sobre os 110 dias na posição
Foi muito difícil, mas eu e o meu companheiro conseguimos dar conta do recado e fizemos tudo o que era necessário. Tudo correu como devia correr. Havia medo, sim, mas é preciso superá-lo e saber manter a calma para conseguir ultrapassar o medo. Enquanto se está na posição com drones a sobrevoar – é preciso manter o medo e as outras emoções sob controlo.
Sobre o inimigo
Eles são pessoas como nós, de carne e osso. E matá-los não é mais difícil do que matar outras pessoas. Mas eles vêm com maldade e causam o mal neste país, na Ucrânia. Por isso, fazemos o que temos de fazer.
Saiba mais sobre a 47ª Brigada Mecanizada Separada “Magura” e junte-se através do site oficial: https://47.army/
Texto: Volodymyr Patola
Vídeo, fotos: Volodymyr Patola, Dmytro Tolkachov, Oleksandr Bekker
Edição: Oleksandr Bekker