Trasante ILDU

“Servir e proteger” - Trasante, um médico de combate brasileiro na Ucrânia

Após anos trabalhando nos serviços de bombeiros e resgate do Brasil, o voluntário de 34 anos, conhecido pelo codinome “Trasante”, veio do estado de Santa Catarina, no sul do país, para a Ucrânia para defender uma causa na qual acredita - e vivenciar em primeira mão um dos campos de batalha mais intensos da guerra moderna.

 

 

 

Servindo na 159ª Brigada Mecanizada, ele treina ao lado de militares ucranianos e estrangeiros, trazendo consigo anos de experiência em resposta a emergências e, ao mesmo tempo, adquirindo novos conhecimentos com profissionais de diferentes partes do mundo. Para ele, a Ucrânia é mais do que um lugar para servir: é uma escola única de guerra moderna.

 

 

 

Histórico e motivação

 

 

Ex-militar brasileiro, Trasante serviu por um ano no Exército Brasileiro antes de deixar as Forças Armadas para ingressar no Corpo de Bombeiros. Desde então, há 12 anos trabalha no Corpo de Bombeiros Militar do Brasil, especializado em resposta a emergências e operações de resgate.

 

 

Nos últimos oito anos, Trasante também se dedicou à formação de pessoas para operações de resgate em áreas urbanas e regiões remotas. No Brasil, recebeu treinamento médico e de resgate, conhecimentos que agora pretende compartilhar na Ucrânia como médico de combate:

 

 

“Vim porque vi aqui uma oportunidade não apenas de defender um ideal de liberdade que compartilho, mas também de aprofundar meus conhecimentos sobre o que atualmente é a guerra mais sangrenta da história moderna.”

 

 

 

Chegada e treinamento na Ucrânia

 

 

O brasileiro assinou seu contrato na Ucrânia em março de 2026. Desde então, vem passando por treinamento, incluindo o treinamento militar básico geral, a preparação no âmbito da unidade e a formação em sua especialidade:

 

 

“Desde o início, a Ucrânia oferece um amplo programa de treinamento para garantir que seus militares não cheguem à linha de frente sem compreender o que está acontecendo.”

 

 

A segurança é uma prioridade durante todo o processo de treinamento:

 

 

“Temos exercícios com munição real, além de treinamentos com airsoft e paintball. Todo o equipamento fornecido às equipes de treinamento é de alta qualidade. Recebemos toda a atenção e o apoio necessários desde o primeiro dia. A assistência médica também está imediatamente disponível caso alguém se machuque.”

 

 

A brigada que escolheu para servir tem outra vantagem para ele: seus comandantes diretos são brasileiros. O sistema de treinamento é adaptado à nacionalidade dos militares:

 

 

“Meus comandantes são brasileiros, então não tenho dificuldades nem com o aprendizado nem com o treinamento. Nossos comandantes superiores são ucranianos, mas fazem todo o possível para garantir que compreendamos todas as ordens e instruções.

 

 

Apesar da barreira linguística, nunca me senti excluído por não entender uma ordem. Pelo contrário, tanto os militares ucranianos quanto os estrangeiros aqui dão grande importância à comunicação eficaz.”

 

 

 

Uma força internacional com um objetivo comum

 

 

Trasante serve na 159ª Brigada Mecanizada, que conta com dois batalhões destinados a militares estrangeiros - um para falantes de espanhol e outro para falantes de português:

 

 

“Cada pessoa que vem para cá tem seus próprios ideais e motivações. Mas o objetivo comum é se opor ao movimento que está acontecendo contra a liberdade da Ucrânia.”

 

 

Para ele, o caráter internacional da força é uma parte importante dessa experiência:

 

 

“Somos profissionais de diferentes partes do mundo lutando pelo mesmo ideal. Cada um está fazendo um esforço, de acordo com suas próprias capacidades, para melhorar e prestar o melhor serviço possível em apoio à causa.”

 

 

 

Impressões sobre a Ucrânia

 

 

A primeira impressão de Trasante sobre a Ucrânia também foi marcada pela organização do país e pela hospitalidade de sua população:

 

 

“Quando cheguei à Ucrânia, já tinha um lugar específico para onde ir. Eu tinha pontos de geolocalização preparados para o caso de uma emergência e contatos de emergência tanto com pessoas aqui quanto com pessoas no Brasil.”

 

 

O brasileiro descreve a Ucrânia como um país muito bonito, cuja cultura imediatamente chamou sua atenção. Apesar da guerra, ficou impressionado com a hospitalidade das pessoas:

 

 

“Aonde quer que vamos, incluindo lojas e outros estabelecimentos, as pessoas rapidamente percebem que somos estrangeiros. Elas fazem um esforço para garantir que possamos nos comunicar de maneira eficaz, seja ao pedir comida, água ou simplesmente tentar resolver alguma coisa. A hospitalidade delas é cativante.”

 

 

Ele também ficou impressionado com o nível de segurança e a presença constante da polícia nas ruas:

 

 

“Apesar da guerra, o nível de criminalidade urbana comum aqui é muito baixo, então a segurança é outra coisa que chamou minha atenção.”

 

 

 

A resiliência dos ucranianos

 

 

Mas o que mais impressionou o voluntário foi a determinação dos ucranianos:

 

 

“Hoje vemos pessoas treinando em estandes de tiro próximos que poderiam ter deixado o país e ido embora. Mas elas continuam aqui, defendendo seus ideais e seu povo. Isso é muito motivador.”

 

 

 

Vivendo com a guerra

 

 

A única coisa de que Trasante não gosta na Ucrânia é a própria guerra:

 

 

“Embora a guerra possa criar certas oportunidades, ela também priva as pessoas dos prazeres comuns disponíveis nos países em paz.”

 

 

O toque de recolher noturno, os alarmes de ataque aéreo e a necessidade de procurar abrigo fazem parte da vida cotidiana:

 

 

“Mesmo em uma cidade relativamente segura, há uma tensão constante, porque um ataque pode acontecer a qualquer momento.”

 

 

 

O que vem pela frente

 

 

Olhando para o futuro, o brasileiro vê a Ucrânia como uma rica fonte de aprendizado profissional:

 

 

“Aqui temos a oportunidade de aprender e trabalhar ao lado de profissionais altamente qualificados de muitos países diferentes. Até mesmo as diferenças linguísticas ampliam nosso vocabulário e criam oportunidades de trabalhar internacionalmente.”

 

 

Por enquanto, sua intenção é continuar aprendendo durante todo o período de seu contrato. Depois de já ter passado oito anos formando profissionais, ele pretende continuar trabalhando nessa área. Trasante também considera permanecer na Ucrânia e compartilhar os conhecimentos que adquiriu:

 

 

“Com a experiência que adquiri aqui na Ucrânia, muitas portas vão se abrir.”

 

 

No entanto, seu princípio continua sendo o mesmo:

 

 

“Servir e proteger.”

 

 

 

Saiba mais sobre a 159ª Brigada Mecanizada Separada das Forças Armadas da Ucrânia e junte-se à brigada em seu site oficial: https://159ombr.army/#awb-oc__215

 

 

 

Texto: Dmytro Tolkachov

 

Vídeo: Dmytro Tolkachov, Oleksandr Bekker

 

Edição: Oleksandr Bekker